Antes de Kyle Rayner, antes de Hal Jordan, antes de Sinestro, no Setor Espacial 2488, o distante planeta Tammuz foi palco de uma batalha entre dois portadores do anel energético! Porém, uma aliança foi forjada e os Guardiões do Universo aprenderiam que há coisas acima da Força de Vontade... ou do Medo! Esta história não está dentro da cronologia do Lanterna Verde na Quadrim, estando mais próxima das histórias da DC Comics que estão sendo publicadas atualmente. Ainda assim, ela está aberta ao fato de se tratar apenas de uma história, sem amarras editoriais. Uma história sobre um homem, uma mulher e sobre destino.
O que nos mantém juntos não é amor; o que nos mantém separados não é egoísmo.
A Quadrim apresenta:
Um conto da Tropa dos Lanternas Verdes

Alianças
Por Raul Kuk
Tropa dos Lanternas Verdes criada por John Broome e Gil Kane
O mês de Savlanout era o mais frio, e o mais logo, do ano. Yashar odiava essa época. Boa parte dos lagos que forneciam água para sua cidade congelavam e, como era a região mais pobre do Shmone Medinote, os serviços públicos não garantiam o abastecimento. O consumo de energia aumentava exponencialmente durante os três meses de escuridão, assim como as taxas de criminalidade.
Uma parcela considerável da população não sobreviveria para ver Ayalon, a estrela que lhes garantia a força vital necessária.
Yashar era jovem ainda, mas já conhecia muito bem os horrores que assolavam Tammuz. Crimes, guerras, corrupção... Dor, sofrimento e miséria estavam por toda parte, permeando cada rua, cada moradia. Tudo que lhe restava a fazer era lutar.
Sempre fora forte, aprimorando seu físico enquanto trabalhava recolhendo o lixo das ruas. Mantia a cidade limpa e, ao mesmo tempo, se prepara para os desafios que teria de enfrentar. Quando o solstício começasse, sabia que sua vida nunca mais seria a mesma.
Não fazia idéia do quanto estava certo.
Desapareceu nas ruas estreitas do centro comercial, cobrindo o rosto com uma máscara improvisada. O local cheirava a cachorro e urina, era mal freqüentado e ficava deserto quando a noite caía. Em Savlanout, era ainda pior.
Não demorou muito para colocar em prática tudo que aprendera.
Uma garota voltava sozinha do trabalho, os passos apressados, tentando se ocultar nas sombras. Sabia que não devia estar ali, que cada segundo contava. Assim que chegasse em casa, a falsa sensação de segurança a faria relaxar. Mas ainda precisava cruzar o lugar mais violento de todo planeta Tammuz.
Ela sonhava em, um dia, ser uma atriz famosa em Katavnou. Seus sonhos estavam prestes a ser destruídos.
Cinco marginais se aproximaram, espreitando nas sombras, no frio e no silêncio covarde. Gritaram impropérios, demonstraram toda sua falta de coragem e caráter investindo contra a garota. Tinha a intenção de roubá-la e violentá-la.
Quando ela fosse procurar os órgãos da Lei e da Ordem, ninguém daria a mínima.
Todos em Shmone Medinote conheciam alguém que tinha sido vítima de um crime naquelas regiões mais miseráveis. Todos sabiam uma história triste e violenta. Todos tinham um amigo ou parente com uma história horrível para contar.
Todos já tinham ido a, pelo menos, um funeral.
Mas a violência estava banalizada, a opinião pública entorpecida pela falta de empenho das autoridades e pelo apetite voraz da mídia. Era um beco sem saída.
Quando enterrou seus pais, Yashar resolveu dar um basta a tanta violência.
Vítimas de brutais criminosos, foram torturados e assassinados em troca de seus poucos pertences. Yashar, ainda um garoto, foi forçado a assistir.
Anos mais tarde, quando achou ter superado o trauma, juntou todas as suas economias para comprar uma aliança de casamento. Sua noiva era linda, a amava mais do que a própria vida. Fizeram juntos planos para o enlace, uma cerimônia linda no qual o anel seria abençoado sete vezes antes de ser entregue à noiva.
Ela foi violentada na sua frente, e depois esquartejada.
Ainda guardava a aliança consigo.
Os horrores que ele testemunhou o tornaram uma pessoa com uma visão bem particular do medo e do efeito paralisante que ele tinha nas pessoas. Estava prestes a testar suas teorias.
Saltou das sombras e, num rápido movimento, quebrou a clavícula do primeiro agressor, tomando impulso para destruir o joelho do segundo. Os outros três olharam para ele, sem reação. Não estavam acostumados a serem confrontados. Nunca tinham visto uma vítima revidar, quanto mais alguém que revidasse pelas vítimas.
A hesitação deu a Yashar o tempo necessário para quebrar o braço do terceiro assaltante na altura do cotovelo e estourar todos os dedos da mão do quarto. O quinto viu-se encurralado contra uma parede. Seus colegas se contorciam de dor no chão. Vestido de preto, Yashar era uma sombra que se movia, rápida e silenciosa.
- Quem é você!?
- ...
- Você... Você é um demônio!
- E sua alma é minha...
O crânio do último assaltante afundou ao impacto com o punho de Yashar. A garota, aterrorizada, tinha sido salva.
A adrenalina percorria seu corpo a uma velocidade fantástica. Tinha conseguido.
Enfretara o medo com medo.
E vencera.
Os rumores do que se passara naquela noite se espalharam por toda Shmone Medinote. Crescera rapidamente a lenda da sombra que combatia o crime e aterrorizava criminosos. Ao longo dos meses, as ruas imundas da periferia se tornaram mais seguras.
Os criminosos conheceram o terror.
Apenas quando o inverno terminou, Yashar pôde admirar sua obra. As notícias se espalhavam rapidamente. Ninguém conhecia seu rosto, mas todos o temiam. Anos de treinamento, noites de vigília, tudo era recompensado pela sensação de que levara o terror aos corações daqueles que, por tantos anos, assombraram seus pesadelos.
Quando o verão começou, no mês de Giv’On, sua vida foi completamente transformada. Era uma noite tranqüila. Os criminosos já não se atreviam tanto no inverno, quanto mais no verão, com seus dias quentes e noites mais curtas.
Tudo está perfeito, pensou Yashar.
Mas tudo muda.
O céu noturno foi cortado por um brilho dourado, mais forte do que Ayalon, um esplendor magnífico e aterrorizante. A estranha estrela cadente percorreu os céus em um trajeto errático, virando-se de repente e avançando na direção de Yashar.
Era um pequeno anel amarelo. A jóia parou no ar à sua frente, seu brilho quase hipnótico, como os olhos de uma serpente.
O homem contemplou a jóia e a jóia falou ao homem:
Yashar do planeta Tammuz, setor 2488… Você possui a capacidade de instilar grande medo. Bem-vindo à Tropa Sinestro.
A pequena gema voou até seu dedo. Suas roupas se transformaram em um uniforme e o brilho dourado iluminou vários quarteirões.
Após três meses aterrorizando os criminosos com seus punhos, Yashar possuía a arma de terror definitiva. Com o anel de Sinestro, tornou-se ainda mais violento e intolerante com os criminosos. Ao mesmo tempo, aproveitava para ajudar os fracos, os famintos e despossuídos. Nenhum crime era pequeno demais, nenhuma necessidade era ignorada.
Não mais guardava a aliança de sua falecida noiva. Seu anel dourado era tudo que precisava para se lembrar de sua missão.
Passados alguns meses, construíra uma sólida reputação como protetor dos esquecidos. Continuava trabalhando durante o dia e fazia suas rondas apenas ocasionalmente. Jamais fora até as regiões mais abastadas – seu dever era para com seu povo. Ficaria ao lado deles, pelo tempo que fosse necessário.
Mas isso também mudou.
Houve uma madrugada em que, após cercar um marginal, deixou o clarão em seu anel se transformar numa chama. Estava prestes a incinerar as mãos do criminoso, quando um golpe violento o atingiu pelas costas.
Enquanto o marginal fugia, Yashar se virou, incrédulo. Quem teria a ousadia de lhe atacar? Quem encontraria os meios para feri-lo? Não era seu anel dourado que lhe garantia o poder de aterrorizar os criminosos? O que poderia se comparar a sua arma?
- Levante-se – disse a mulher que flutuava à sua frente. Ela era linda, os cabelos negros caíam por cima dos ombros insinuantemente. Um brilho esverdeado a envolvia. Um anel era apontado contra seu rosto.
- Quem... Quem é você?
- Eu sou a Lanterna Verde do setor espacial 2488. Eu vim encerrar seu reino de terror.
- Com que a autoridade!?
- Com a autoridade que me foi dada pelos Guardiões do Universo!
- Então diga aos “Guardiões” que, por sua culpa, aquele criminoso acaba de fugir!
- Criminoso!?
- O que você achou? Você fala com a autoridade de uma agente da lei! Não viu que eu estava tentando deter aquele marginal?
- Mas você... Você tem um anel de Sinestro... É você quem vem aterrorizando a população daqui, não é?! Responda!
- Você é estúpida, mulher? Eu ajudo a população daqui – gritou Yashar, se levantando. – Você não se informa? Eu venho enfrentando os criminosos e marginais daqui há meses. Tudo que eu faço é castigar os culpados!
- Mas... Os relatórios que recebi dos Guardiões... Você aleija pessoas...
- Criminosos! Assassinos, ladrões, estupradores... Gente que não vai mais cometer crimes, mas vai viver pra se arrepender de ter seguido esse caminho. Como espera que eu enfrente tamanha violência? A única coisa que posso fazer é empregar a violência também.
- Mas... Mas eu pensei que...
- Moça... Quem diabos é você?!
- Zemer.
Zemer não sabia porque tinha dito seu nome ao seu inimigo. Desde que recebera seu anel energético, semanas antes, procurava agir com total discrição, preservando sua identidade. Aprendera que, por sua força de vontade, foi considerada digna do anel e de um lugar na Tropa dos Lanternas Verdes, uma força policial dedicada à ordem em todo universo. A primeira missão que recebera diretamente dos guardiões foi justamente deter o homem à sua frente.
Mas parecia ter cometido um erro de julgamento.
Nas torres de cristal de Shmone Medinote, ouvira diversas notícias sobre o vigilante que patrulhava os cortiços, impondo sua vontade pelo terror. Quando os Guardiões lhe deram a ordem de detê-lo, considerou uma missão da mais alta responsabilidade. E estava certa.
Só não imaginava que fosse encontrar uma pessoa com os mesmos ideais que os seus.
Yashar, por outro lado, estava furioso. Finalmente encontrara um adversário à altura. Queria enfrentá-la, testar os limites de seu anel energético, colocar a prova tudo que realizara entre os marginalizados.
Mas, diabos, quando Zemer disse seu nome, foi a coisa mais linda que ouvira em toda sua vida!
- Parece que temos um impasse.
- Eu... Eu não sabia o que você... Eu não tinha noção...
- Moça, nós precisamos mesmo conversar...
Foram até a estratosfera. Lá não seriam vistos, nem interrompidos. Zemer descobriu, então, que Yashar não era um vigilante, pura e simplesmente. Não era um terrorista. Era um homem bem intencionado, que usava métodos violentos de combate ao crime, na região mais violenta do planeta. Ele não tinha noção do que o anel de Sinestro significava. Usava-o como uma ferramenta. Após uma vida de desprezo, o anel dera um sentido a sua vida. Podia fazer alguma coisa pelo próximo. Podia lutar.
Yashar, por sua vez, descobriu que uma guerra explodira pelo cosmos. A Tropa dos Lanternas Verdes estava em choque violento com a Tropa Sinestro. Jamais ouvira falar dos Guardiões ou de Oa. Não sabia que pertencia a uma Tropa. Não recebia ordens. Apenas fazia o que tinha poder para fazer.
- Tudo que eu ouvi dos que possuem um anel dourado é que eles são maus.
- Mas sou eu quem usa o anel, não é o anel que me usa. Eu escolho como quero usá-lo. Admito que combato o crime com violência, mas num lugar assim... O que mais eu poderia fazer?As pessoas começaram a se revoltar contra os criminosos. Começaram a reagir. Em breve, a criminalidade na cidade baixa estará controlada e só serei necessário nas obras assistenciais que tentam suprir os desfavorecidos. Esse é meu papel aqui. Os seus assim-chamados “Guardiões” são cegos? Eles não viram o que realizei até agora?
- Eu... Creio que não. E peço desculpas. Aprendi a ver a Tropa Sinestro como animais... Monstros, que devem ser caçados e destruídos.
Ayalon começava a nascer no horizonte.
- Escute... Eu não sei o motivo dessa guerra, mas eu não faço parte dela. Por favor, não traga essa guerra para cá. Me ajude. Vamos reconstruir a cidade baixa, vamos dar a esse povo algo em que acreditar, algo pelo que valha a pena lutar. Eles não são acomodados, não são preguiçosos nem vagabundos. Só estão começando a aprender como é andar de cabeça erguida. Eu dei isso a eles. Me ajude a conseguir mais.
Zemer pensou por um instante. Aquilo fazia sentido. Quando criança, ouviu histórias sobre licantropos, homens comuns que se transformavam em feras por força de uma maldição. Sempre se perguntara se algum daqueles homens poderia manter a razão. Como o coração de um homem se comportaria no corpo de uma fera?
- Eu preciso falar com os Guardiões a respeito.
- Faça isso, Zemer. Eu tenho certeza que eles entenderão.
- Eu... Eu nem sei seu nome.
- É Yashar.
E aquela foi a coisa mais bonita que Zemer ouvira em toda sua vida.
Os Guardiões, contudo, não partilhavam de sua euforia. Pareciam resolutos em suas ordens. Queriam o anel de Sinestro, não importando se seu possuidor fosse capturado vivo ou morto. “O problema”, disseram os Guardiões, “não é o que ele tem feito com o anel... Mas o que o anel significa.”
Isso não faz o menor sentido, pensou Zemer. Era apenas um homem justo lutando com todas as suas forças contra um mal que, por ser uma garota burguesa, não era capaz de compreender totalmente. Porém, suas tentativas de argumentar foram energicamente rechaçadas pelos Guardiões, que insistiam que a insubordinação seria severamente punida não era um possuidor de anel dourado que ia falar em defesa dela.
Zemer entendeu o recado e voltou para Tammuz, mas nunca caçou Yashar. Ainda assim, o encontrava periodicamente. Conversavam sobre seus anéis, sobre suas missões, seu sonhos. Falavam sobre o planeta em que viviam e os contrastes que separavam a população entre os incrivelmente ricos e os inacreditavelmente pobres.
Se apaixonaram logo que se conheceram, mas ainda levou um tempo até que consumassem seu amor. Para os guardiões, Zemer dizia que não conseguia encontrar o possuidor do anel dourado, então passava seu tempo ajudando a combater o crime nos bairros mais pobres. Mas estava o tempo todo ao lado de seu amado.
Yashar não gostava daquela situação. Aprendera a amar Zemer, a ouvir a doce música de sua voz e a perder o fôlego quando estavam juntos. Mas ainda havia algo de “marginal” em seu romance, algo de errado.
Não devia ser assim. Não deviam ser separados pelo preconceito.
O anel dourado era a coisa mais importante que tinha, quase tão importante – tinha vergonha de admitir, mas era verdade – quanto sua falecida noiva.
Foi quando se deu conta de que amava Zemer mais do que à mulher que fora mutilada na sua frente e a quem prometera fidelidade eterna. Só então abriu os olhos para o quanto havia mudado. Yashar se deu conta de tudo que realizara – a princípio, com seu próprio suor; depois, com a ajuda do anel dourado. Finalmente, ao lado de Zemer.
Amava Zemer, mais do que a própria vida.
Mas a amava o bastante para abrir mão do anel? Depois de ver seus entes queridos serem mortos e seus patrícios serem oprimidos pelo mal, o anel era sua maior motivação. Não devia ser assim.
Ele devia ser a ferramenta das mudanças que promoveria, não motivação.
Ora, se não fosse capaz de fazer suas escolhas independente do anel, não era merecedor do coração de Zemer. Tudo que dissera a ela na noite que se conheceram seria hipocrisia.
Levou horas, mas ele finalmente conseguiu tirar o anel do dedo, reunindo toda força de vontade para dizer “vá”.
“Vá e procure outra pessoa com a capacidade de instilar grande medo.”
E o anel se foi.
Quando Zemer chegasse, contaria que abrira mão de seu anel energético por ela. Assim, ela jamais precisaria fazer o mesmo e poderia continuar ajudando em seu trabalho. Os tais Guardiões a consideraram digna do anel. Ela ia entender.
Porém, o crime não tinha sido banido dos guetos, não por completo.
Como ratos, os covardes continuavam nas sombras, aguardando suas vítimas.
Quando viram Yashar sozinho, no meio da madrugada, perceberam que estavam diante de uma oportunidade.
Não reconheceram nele o mesmo homem que os aterrorizara com o anel, ou sequer teriam tentado. Mas, se soubessem que teriam a chance de enfrentá-lo sem o anel, teriam se lançado contra ele de maneira ainda mais furiosa. Ter mantido sua identidade secreta foi o que salvou Yashar.
Mais alguns minutos e Zemer teria apenas o corpo do homem que amava em seus braços. Ao ver o grupo de marginais massacrando-o de maneira torpe e covarde, encheu-se de fúria e, pela primeira vez, compreendeu os terrores contra os quais ele lutara. Compreendeu seu métodos.
Compreendeu que a resposta não era desproporcional.
Lançou-se como uma leoa contra os marginais, esmagando-os um a um. Não tomou suas vidas, mas garantiu que sofressem o máximo possível, levando-os ao limite da resistência. O cálice de sua ira havia transbordado.
Mas não o cálice de sua compaixão.
Aproximou-se de Yashar, bastante ferido, enquanto os criminosos se arrastavam como vermes de volta para as sombras, sem compreender direito o massacre a que foram submetidos. Sabiam apenas que jamais levariam a cabo sua vilania novamente. O terror que protegia a cidade era real e palpável.
Zemer segurou a mão de Yashar, chorando bastante.
- O que aconteceu com você? Por que não se defendeu?
- Eu... Não pude... Eu não tenho mais... meu anel...
- Não tem...? Como assim?
- Eu... ordenei ao anel que se afastasse de mim... para eu não ser mais... um membro da Tropa Sinestro... uma tropa cujos ideais... eu não compartilho... diferente de você... que foi escolhida pelos Guardiões... acredita na verdade... na justiça... e na ordem... Assim não teremos mais... que nos esconder... Sou apenas... um homem comum... lutando por um pouco de justiça...
- Não – disse Zemer, aos prantos – Não, você está errado... Nós acreditamos nas mesmas coisas... Mas não porque uma “tropa” nos disse que elas são certas... Mas pelo que vivemos... pelo que experimentamos... Pelo amor que partilhamos... Eu não quero fazer parte de uma tropa que me obriga a caçar o homem que eu amo!
Ditas essas palavras, Zemer arrancou o anel do dedo e, resoluta, ordenou: “Procure outra.”
“Procure outra pessoa para a Tropa dos Lanternas Verdes. Procure alguém que os Guardiões considerem dignos. Procure alguém que seja digno. Porque eu, certamente, não sou!”
E assim foi.
O anel alçou vôo até a estratosfera, enquanto os dois amantes se abraçavam.
Nos limites do planeta, o anel esmeralda encontrou seu antagonista dourado. Os dois anéis pareceram se encarar por algum tempo, uma fração de segundo, imperceptível a olhos humanos.
Pareceram se reconhecer.
Mas deram prosseguimento à missão que receberam. Desceram a toda velocidade ao solo de Tammuz, até o mesmo lugar onde tinham sido rejeitados pelos seus antigos possuidores.
O anel esmeralda reconheceu a coragem de Yashar e foi até ele.
Yashar do planeta Tammuz, você possui grande força de vontade e a pôs à prova ao abrir mão do anel dourado. Bem-vindo à Tropa dos Lanternas Verdes.
O anel dourado, por sua vez, reconheceu a fúria de Zemer e foi até ela.
Zemer do planeta Tammuz, você possui a capacidade de instilar grande medo e a demonstrou ao enfrentar os criminosos que feriam o homem que você ama. Bem-vinda à Tropa Sinestro..
Nenhum dos dois estava preparado para aquela estranha ironia.
Feridas cicatrizaram, o tempo passou e ambos se perguntavam o que deveriam fazer. Resolveram dar prosseguimento a seu trabalho sem os anéis. Continuavam lutando para que houvesse um pouco mais de justiça e igualdade em Tammuz e em Shmone Medinote. Então, quando o equinócio se aproximava do seu fim, resolveram celebrar seu enlace de uma maneira inusitada, fugindo totalmente às antigas tradições de seu mundo.
Não trocaram alianças.
Ao contrário, abriram mão dos anéis que tinham.
Continuaram se amando, talvez mais do que nunca, e serviram de exemplo para todo um planeta do que as pessoas são capazes de fazer, quando inspiradas por sentimentos nobres em busca da justiça e da paz. Foram felizes e prósperos e seus filhos e os filhos dos seus filhos carregaram esse legado, ajudando a escrever a história de Tammuz rumo a um futuro brilhante, de prosperidade e harmonia.
Um futuro traçado nas cores dourada e esmeralda.
E assim por diante.