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 Gata Negra 48 - Pretérito Imperfeito – Príncipes e Generais
Gata NegraCarol e Julia encontram manifestações estranhas no Mar dos Sargaços e salvam... Namor? Silver Sable e o Estrangeiro finalmente se reúnem com o general Lane! E Felicia descobre que o pai dela não morreu de câncer e sim... foi envenenado!





Gata Negra 48
Pretérito Imperfeito
Príncipes e Generais

Arachne
Julia Carpenter
Gata Negra
Felicia Hardy
Miss Marvel
Carol Danvers

Gata Negra criada por Marv Wolfman, Keith Pollard e Frank Giacoia.
Por Pedro Caldeira.


S.H.I.E.L.D.

Felicia se levanta da cadeira. Hicks a olha, friamente. Na cabeça da ladra, a busca por uma situação salvadora.

Ela, então, coloca a mão direita na testa e revira os olhos.

- Sem artimanhas, Felicia. Fingir um desmaio não vai funcionar.

Felicia, desgostosa, se senta novamente.

- Eu não tinha a intenção de desautorizar o senhor.
- Sem ironias.
- Um sinal surgiu na minha tela, e por reflexo eu...
- Não me interessa. Sua obrigação era anunciar ao Serviço de Triagem de Manifestações e Anomalias, para que fosse dada alguma ordem.
- Desculpe, Hicks.
- Agora é tarde. Carol e Julia estão chegando ao Mar dos Sargaços.
- Tente entender o meu lado, Hicks.
- Não quero essa conversa novamente. Você sabe que é uma vítima em potencial. Está fragilizada, esteve em coma, destruiu equipamentos, tem uma gravidez misteriosa, os testes revelaram alterações no seu...
- Chega! – Felicia interrompe – Minha cabeça está girando!

Hicks pega uma cadeira e se senta ao lado de Felicia.

- Seu acesso aos nossos arquivos já foram normalizados.
- Eu percebi.
- Sobre isso que quero conversar com você.

Hicks exibe uma pasta de papel grosso e de cor marrom.

- Você sabe que cada computador desta instalação possui um IP, não?
- Todos os computadores do mundo possuem.
- Sabe que você tem uma senha exclusiva, não?
- De fato.
- Seus registros no Computador Central revelaram o que você fez na nossa rede.
- O que isso quer dizer?
- Quer dizer que sei o que você está pesquisando.
- Não gosto muito do Google...
- Isso é assunto sério, Felicia. Você teve acesso a dados, digamos sigilosos, sobre várias pessoas. Incluindo...
- Incluindo meu pai.
- Incluindo seu pai.
- O que há de mau nisso?
- Qual sua função aqui?
- Tá, não é fuçar vidas alheias.
- Só quero que você tenha cuidado para não descobrir o que não gostaria... caso haja algo.
- Olha, Hicks, faz parte da minha natureza.
- Exatamente por isso vou poupar seu trabalho.

Hicks entrega a pasta para Felicia. Receosa, ela olha o material por fora, sem abrir. Seus olhos passeiam pelo símbolo da S.H.I.E.L.D. e pela marca d’água de “confidencial”.

- O que é isso?
- Os últimos registros arquivados que a S.H.I.E.L.D. possui.
- Quem garante?
- Ninguém.
- E por que está me dando?
- Se tem que saber algo, é preferível que saiba através de uma fonte confiável. Os computadores não são seguros.
- Nem os da S.H.I.E.L.D.?
- Se precisar conversar, me procure.

Hicks se levanta e sai da sala, deixando uma Felicia espantada, porém curiosa.


Oceano Atlântico Central

Coordenadas: 26° 37′ 45" N, 70° 53′ 1" W

A cena no céu que ninguém presencia é resultado de treinamentos exaustivos.

Arachne, com uma grossa teia enroscada na cintura de Ms. Marvel, surfa no ar.

- Se você me chamar de prancha mais uma vez, juro que te atiro aos tubarões!
- Confessa que gostou, amiga! Viu o tempo que ganhamos?
- Se segura!

Carol aumenta a velocidade. Gira o corpo, fazendo manobras radicais. Julia se segura firmemente, enquanto se equilibra sobre as costas e o quadril da parceira. Gargalhadas.

- Felicia vai morrer de inveja!

E um voo rasante sobre as águas quase cintilantes.

- Sabe o que falta, amiga?
- Diz.
- Música! Algo tipo Jack Johnson!
- Cala essa boca, Julia!
- Depois disso aqui vou estar pronta para aquelas ondas gigantescas do Havaí.
- Pela nossa localização e velocidade, em breve chegaremos lá, hahaha!
- Sabe onde estamos?
- Em algum lugar entre A Flórida, Porto Rico, Bahamas e... Bermudas!?

Ao concluir a frase, uma tromba d’água atinge a dupla, que se separa devido o impacto.


Embaixada da Symkaria, Costa Oeste

Uma luxuosa cama. Grande. Música clássica. Aromas de incensos raros do oriente. Um balde, 3 garrafas de champanhe. 2 taças ao chão, sobre o fino tapete persa.

Na cama, o Estrangeiro está deitado, com os braços cruzados, apoiando a cabeça. Olhos fechados.

Do banheiro sai Silver Sable, envolta num roupão branco e felpudo. Cabelos molhados lhe caem aos ombros.

- Eu imaginava que isso iria acontecer.

Estrangeiro abre os olhos.

- Não te forcei a nada. Nem te hipnotizei.
- Confesso que depois de muito tempo, meu corpo também reconhece o seu.
- Vem – diz Estrangeiro, batendo a palma da mão no colchão – Sente-se.

Silver Sable caminha suavemente, desfazendo o laço do roupão e abaixando a gola. O Estrangeiro senta, se encostando na cabeceira da cama.

A porta da suíte é aberta bruscamente. O olor se desfaz com a espessa fumaça de um charuto cubano. Silver Sable e Estrangeiro se recompõem rapidamente. Quando a névoa branca se dissipa, os amantes se assustam com a grande presença parada à porta.

- General Lane?!

Os passos pesados – consequência do coturno – abafam a ópera. Segurando o charuto, o general senta numa cadeira pertencente a algum rei europeu.

- Não se vistam – Estrangeiro e Silver Sable se olham – Só quero dizer que enquanto vocês relembram a época de casados, o plano não está em andamento.

Silver Sable se levanta, arrumando o roupão e os cabelos.

- Discordo, general. Mais uma peça acabou de ser encontrada por Felicia.

O Estrangeiro se levanta, nu, se enrola da cintura para baixo com o lençol egípcio, anda até o bar e pega uma garrafa de uísque.

- Servido, general?
- Dupla, 3 pedras.

Lane deixa o charuto queimando para que se apague, enquanto se serve da bebida.

- Interessante. Qual o próximo passo?
- Precisamos de uma informação nova.
- Quente. – complementa o Estrangeiro.
- Por que? – questiona Lane.
- Não temos motivos suficientes para que Felicia...
- Ela parece estar muito bem amparada na S.H.I.E.L.D., general.
- Vocês precisam agir. Temos que resgatar Felicia o mais breve possível.


Café, Metrópolis

Lá está ela. Sozinha. Como em quase toda a sua vida. Cabeça baixa, olhar perdido. A pasta marrom sobre o colo. À mesa, café já frio, petiscos não mais crocantes. O sorvete misturava-se à calda.

“Não acredito. Em nada. Na minha vida. No meu sentimento. No meu pai! Tou quase concordando com a mamãe. Devia mesmo ter sido uma patricinha. Seguindo os caminhos do luxo e do mundo supérfluo. Tentei dar uma razão para minha vida. Fazer algo que me fizesse bem. Mas a verdade é que eu nunca me encontrei. Não tenho respostas. São tantas perguntas! Ninguém ao meu lado. Ninguém...”

- Ninguém o quê? – uma voz inesperada.
- Ben – Felicia se levanta e o beija à boca – Está lendo meus pensamentos?
- Você falou “ninguém” em voz alta.
- É um mantra...
- Não me engane.
- Quer tomar algo?

Ben faz um sinal e a garçonete se aproxima.

- Senti falta desse casal! Nossa, como sua barriga cresceu! Bom, o de sempre?

Ben balança a cabeça com um sorriso.

- Que tá pegando, Fel?
- Preciso sair da S.H.I.E.L.D..
- Hã? A gravidez lhe tirou o juízo? O pouco juízo que você tinha?
- Bobo!

Ben segura a mão de Felicia.

- Tou numa fase péssima.
- Faltam alguns meses.
- Me refiro à S.H.I.E.L.D....
- Que houve?
- Além de ter recebido bronca do meu superior eu... eu...
- Não me diga que andou mexendo nas gavetas outras vez?
- Mais ou menos.
- ...
- ...
- ...
- ...
- Sem broncas, Ben.
- O que tem aí?

Felicia aperta a pasta com força, amassando-a.

- PeloamordeDeus, o que tem aí?

A garçonete, sorridente, coloca o pedido na mesa. E antes de qualquer gracinha, percebeu o pesado clima e se afastou logo...

- Fala, Felicia. Eu tô aqui!
- Meu pai...
- Novamente ele! Fala de uma vez, sem respirar!

Felicia se derrama em lágrimas e num choro silencioso.

- Meu pai não morreu de câncer, Ben, como foi diagnosticado. Ele morreu por uma droga chamada modafinil.
- Quéisso?
- Foi descoberta por franceses no fim da década de 70 para combater a fadiga e a sonolência. Então, meu pai foi contaminado por isso.
- Mas como isso foi possível?
- Nem médicos, fabricantes e especialistas sabem exatamente como é sua ação no cérebro humano. Qualquer coisa pode ter acontecido.
- Felicia, eu...
- Não me deixe, Ben – mais lágrimas – Preciso de você!


Triângulo das Bermudas

Enquanto Julia vai na direção do mar, Carol é bombardeada por dezenas de trombas d’água, sem conseguir se esquivar ou cair no oceano.

Com a cabeça na superfície, Julia projeta teias que ficam ao redor do pescoço, como boia, batendo as pernas e pensando numa estratégia.

Violentamente seu corpo é tragado para o fundo do mar, e como num rápido e último ato, as teias viram uma circunferência e lhe protegem o rosto, cobrindo-o. Ela consegue respirar mesmo estando submergida, mas não enxerga nada além dos fios rosa.

No céu, projetando energia, Carol explode aquele que foi o último fenômeno natural que iria lhe atingir. Em seguida, pôs-se de cabeça para baixo e acelerou, perfurando as antes calmas águas da região.

Julia tentava voltar para cima, ao tempo em que Carol, incrédula, via três seres desconhecidos, puxando as pernas e braços da aracnídea.

Três mulheres de pele alva, cauda de peixe, mas tesas como cristais, cabelos transparentes e feições finas, com os seios à mostra. Nas costas, barbatanas que pareciam a ponta de um iceberg.

Um novo impulso e Carol rasgou a água, emergiu, respirou e voltou como um raio. Julia, chutando às cegas, respirava com dificuldade pelo fim do oxigênio e por sentir... frio!

Ao se chocar contra o mar, disparando raios, Ms. Marvel chamou a atenção dos seres desconhecidos. Por reflexo, as 3 se voltaram à agente especial da S.H.I.E.L.D..

Livre, Julia voltou a respirar ao ver o sol e não entendeu como havia tromba d’água sem tempo ruim. Olhou para baixo e viu a parceira recebendo golpes gélidos e cortantes das agora inimigas. Ela não sabe o que fazer.

Enquanto isso, Carol tentava voltar para a superfície, mas suas pernas estavam congelando. Seus olhos ficavam pesados e seus pulmões, vazios.

Eis que uma energia radiante corta a horizontal do Mar dos Sargaços, transformando as mulheres em pó, como flocos de neve, e libertou as pernas de Ms. Marvel.

Nesse instante, teias se enroscaram nos braços de Carol e a levaram para cima.

Ofegantes, apenas se acalmavam, olhando as poucas pedras que saem das águas.

- Olhe... ali... – diz Julia, apontando.
- Meu Deus...! É... Namor!

Em poucos segundos as duas se aproximam dele. Observam os ferimentos – alguns graves – e admiram aquele corpo musculoso e com poucas vestes, sendo apenas uma saia verde com detalhes metálicos, como escamas. Além de notar que ele apertava um cristal atlante.

- Precisamos acionar o resgate.
- O equipamento não mais tem serventia.
- O que faremos? Vamos esperar aqui? Ir para Atlântida?
- Julia, eu nem sei como chegar lá!
- Calem-se – uma voz que fez com que os ossos das agentes se batessem.
- Namor... você está bem?
- Claro.

Orgulhoso, o Príncipe Submarino parece se levantar, mas cai instantes depois.

- Você precisa de ajuda.
- Quem eram aquelas... coisas?
- Calem-se!

As duas se olham, enfezadas.

- Onde estão as suas boas maneiras monárquicas? – pergunta Carol, que deixa Julia tensa.

Namor treme de dor.

- Engula a sua arrogância!

Julia se preocupa.

- Isso está acontecendo... o ataque das sereias polares... por culpa de vocês da superfície!
- Da gente? – Julia deixa escapar a pergunta.
- O mundo submarino – fica em pé – está em guerra!


S.H.I.E.L.D.

No quarto, Felicia não esconde as olheiras, o nariz vermelho e a cara inchada por tanto chorar.

Anda de um lado para o outro, apertando a medalha da coleira, mexe os cabelos, faz o mesmo movimento como se acionasse as garras...

Então ela corre até seus pertences, e de um compartimento secreto, retira uma ampola com conteúdo verde. Brilhante.

Escondendo-a entre os seios, ela corre até o laboratório.

“Vazio.”

Felicia pega a ampola e vai ao computador de experimentos. Abre cuidadosamente o frasco e com uma espécie de conta-gotas retira uma pequena quantidade do líquido fluorescente.

“Não sei por quê tou fazendo isso. Se bem que nem preciso de motivos parta saber se o que eu tenho é feito da mesma coisa disso daqui: do soro do Duende Verde!”

Posted on Monday, August 10 @ 11:56:15 BRT by Pedro_Caldeira
 
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