Mosaico 07 - Trevas e Serpentes |
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Psylocke enfrenta seus algozes em busca da ESPADA DO PODER! Punho de Ferro descobre que voltar para K'un L'un pode não ter sido a melhor idéia, enquanto o Combatente Americano aprende a verdade sobre a sua condição. E Billy Batson percebe que há algo errado em sua vida! Mais uma peça do MOSAICO é colocada no lugar! Por Raul Kuk, Pedro caldeira, André Faccas e Carlos Vinicius Marins!
Inglaterra
Castelos e fortificações de pedra compõem boa parte da paisagem da Inglaterra rural. Em muitos deles, a passagem do Rei Arthur e de seus leais cavaleiros da Távola Redonda.
Mas é no sudoeste do país, a 150 km de Londres, na cidadezinha de Glastonbury, que expedições arqueológicas encontraram a lendária Ilha de Avalon.
Para chegar lá, Psylocke, seguindo as ordens de Gomurr: caminhou quase 2km ao leste até se deparar com uma colossal gravidez da terra, o Tor, um cone extraordinário, a mais de 150 metros de altitude, visível de todas as direções em um raio de mais de 30km.
Ao redor de suas encostas os terraços construídos pelos homens formam um imenso labirinto que se enrosca até o corpo.
O Tor é coroado pela torre em ruínas de uma igreja dedicada a São Miguel, um célebre caçador de dragões e inimigo dos espíritos do mal. Os monges medievais erigiram a igreja com o intuito de cristianizar o local e erradicar seus vínculos com reis e deuses pagãos. E claro, esconder a passagem para Annwn, a morada subterrânea de entes fantásticos, onde estaria a Espada do Poder.
Antes de iniciar a subida pelas verdes brumas que abafam o dédalo, Psylocke capta uma energia estranha que emana do local.
- Ynis Vitrin.
Ilha de Vidro, em celta. Lar das Sacerdotisas da Lua e aprendizes dos mistérios e forças da natureza, que conhecem a magia, as ervas para curar, os segredos do céu e das estrelas...
Antes de piscar os olhos, ele inicia a escalada.
Escócia:
Eu me lembro agora...
O litoral da Escócia era castigado por uma forte tempestade. A chuva fria caía torrencialmente, enquanto relâmpagos desafiavam as trevas, a despeito dos lamentos dos vivos.
Mas os vivos não o incomodavam.
Nenhum homem vivo era páreo para o Combatente Americano.
Treinado pelo Cobra, criado pelo gênio ensandecido do General Hamman, obteve tudo que precisava para que a organização terrorista tivesse seu próprio “Capitão América”. O uniforme, nas cores da bandeira, o escudo.
Até mesmo o corpo de um soldado.
O soldado que havia sido seu irmão.
Morto em combate, desaparecido em ação durante uma missão secreta... Deixando para trás um irmão paraplégico com o coração mergulhado em fúria e rancor. Nelson Flagg idolatrava o irmão, John. Era seu único parente vivo. Era sua família. Seu ideal de tudo de bom que a América e a humanidade representavam. Seu herói.
Quando Hamman lhe ofereceu a chance de aprimorar seu corpo às raias da perfeição, Nelson não hesitou. Tornou-se um soldado perfeito, fazendo tudo que lhe era ordenado.
Como seu irmão.
Até enfrentar a mutante Psylocke.
Sua adaga psíquica foi cravada em sua mente, libertando-o do controle de Hamman. Não só passou a se lembrar de todo o treinamento como também recuperou as lembranças do irmão. Lembrou-se de conversas que cientistas tiveram ao seu lado, enquanto estava sedado, julgando que ele jamais se lembraria.
“Cobaia”.
“Experimento”.
“Aberração”.
“Morto”.
“Hospedeiro”.
“Desgraçado”.
Durante sua última missão, John Flagg foi capturado e morto por uma mulher... Uma mulher que vestia couro negro, a mais linda que jamais vira. Não sabia o nome dela, todos se referiam a ela apenas como Baronesa.
John Flagg a amou e foi traído por ela.
Então Hamman colocou a mente do jovem aleijado Nelson Flagg no corpo perfeito de John. O experimento fora um sucesso. Drogas inibidoras, controladoras do comportamento, condicionamento, implantes, lavagem cerebral... Os resquícios da mente de John eram mantidos quietos, enquanto a mente de Nelson era mantida sob controle.
Ele cumpria as ordens.
“Entrar. Esperar. Matar.”
Matou em nome dos mesmos homens que mataram seu irmão. Os mesmos monstros. Fora transformado num monstro e, aos poucos, a mente de John Flagg inundava suas próprias memórias como um pouco de tinta jogada na água. Aos poucos, a tinta poluiria toda a água.
Aos poucos, Nelson se lembrava da infância de John, o relacionamento com os pais, a escola, a primeira namorada, o treinamento no exército...
O golpe de Psylocke fora, ao mesmo tempo, uma benção e uma maldição. Dentro em breve, acabaria enlouquecido pelas memórias do irmão. Porém, ainda teria tempo de levar a vingança até os responsáveis pela sua tortura.
HOJE:
Os primeiros raios de sol atravessam a cortina simples, feita de palha de arroz, atingindo o pequeno e úmido quarto de pedra. No chão, um homem deitado em uma esteira fina se mexe, a primeira vez desde que deitara. A dor retoma a sua mente.
Suas pálpebras pesam.
O cansaço ainda persiste, mesmo após uma noite de sono pesado.
Assim, o dia começa para Daniel Rand.
Hoje faz duas semanas que ele chegara a cidade celestial de K’un L’un.
Seu último refúgio após todas as situações desastrosas que passou nos últimos seis meses.
Primeiro, o abuso de álcool e drogas, depois ser incriminado e preso como um financiador de terroristas. E após isso, ser libertado da prisão pelos menos homens que criaram essa situação toda para ele. Um confronto rápido e brutal e sua fuga, para se descobrir perdido no meio da China, e mais: que sua morte fora forjada, e que mesmo seus amigos mais leais acreditaram nisso.
A cidade perdida se tornou sua única opção.
Para se reerguer. Para voltar a viver.
E enfim, fazer justiça.
Porém, as coisas não estavam indo exatamente como o planejado.
A recepção fora fria. Ele era igual a um cão faminto em busca de abrigo. Locado em uma cela do monastério local, ele era alimentado com arroz frio e água morna. O líder da cidade, Yu-Ti, a Personalidade Celestial de Jade, não se deu nem ao menos o trabalho de saber como ele se encontrava.
Seu mestre, Lei Kung, o trovejante, falara com ele apenas uma vez. E suas palavras foram palavras duras, de ordem, para os monges locais.
“Forneçam alimento e abrigo. Mas o façam merecer tudo isso”.
Desde então, seus dias começam no amanhecer e vão além do anoitecer. Séries de meditação, trabalho braçal puro e simples, como limpar o mosteiro junto dos monges, cuidar das plantações, colher frutas, remover ervas daninhas. Tratar dos animais domesticados, entre eles alguns tigres, macacos... Alimentá-los.
E muito treino.
Sessões de horas e horas intermináveis de treino. Calejamento, alongamento, e principalmente katis. As formas dos estilos de Kung Fu ensinados em K’un L’un. Os Cinco Animais, Seis Punhos, Shaolin Sul e Norte, Wu Tang, Tai Chi Chuan.
Impressionante como se sentia frustrado nos primeiros dias. Eram formas simples, mas ele não as reproduzia direito. A ausência de pratica se fazia presente e ele era alvo de chacota entre os monges. Mesmos os mais novos já mostravam um domínio maior que ele na seqüência de movimentos.
Fato era que o corpo de Rand sabia exatamente o que fazer. Mais de uma década de treinos deixam marcas. Era sua mente que não estava ali. Pensava no mundo lá fora e se tornava descuidado. Todo reles iniciado sabe que a mente é a parte mais importante das artes marciais. O estado meditativo que une relaxamento e atenção era crucial para que o instinto criado em anos e anos de repetição árdua de golpes fluísse em agíeis e graciosos movimentos.
- Como um rio, seguindo seu curvo. Com a força das águas, mas fluido, vencendo todo tipo de obstáculo – dizia Lei Kung. Era até engraçado para o então jovem Daniel ouvir seu mestre falando assim. Um homem de 1,90 e mais de 150 kg de puro músculo. Ele parecia ser indestrutível e lento, mas era exatamente o oposto. Rápido como o raio e com golpes poderosos, ainda mais quando utilizava sua larga espada, que ao cortar o ar fazia um forte barulho, justamente o que lhe apelidou “O Trovejante”.
Porém, mesmo com essa rotina cansativa imposta, ele ainda era proibido de ser sparring dos monges guerreiros.
Era sua única limitação.
Mas Danny não achava isso ruim. Afinal, durante seu confronto com os gêmeos Tomax e Xamot, ele se sentiu estranho, diferente. Suas habilidades sobrenaturais de arma imortal fora de harmonia. Ele sentiu o poder de Shou-Lao se manifestando de maneira... diferente.
Como no caso do livro que virou uma bomba.
Por isso, ele não confiava em si mesmo para treinar com outros iniciados. Podia feri-los, incapacitá-los, ou coisa pior. Um mestre marcial do nível do Punho de Ferro não deve se dar ao luxo de errar.
Por isso, após a seqüência extenuante de treinos, antes de dormir, ele ainda praticava por mais 3 horas, no telhado do mosteiro. Apenas ele e a lua, sempre cheia no reino esquecido. Será por isso que seus mentores o ignoravam? Pelo estado lamentável que se encontrara? Ou é uma reminiscência do fato dele ter abandonado a cidade que deveria proteger?
Esses pensamentos o acompanharam durante toda a meditação matutina.
Até ser interrompido por um mensageiro.
- Arma Imortal, a Personalidade Celestial de Jade deseja vê-lo.
- Como?
- Apenas siga-me, forasteiro.
Daniel não tinha outra escolha a não ser seguir o jovem monge. Saíram da zona de treinos da cidade, passando pelo centro comercial, onde alguns o reconheciam devido a tatuagem no peito. Admirados pois a muito tempo não viam seu campeão andando entre eles. Outros o chamavam de traidor e covarde durante sua caminhada. Aquilo doía na já frágil confiança de Rand.
Mas ele não deixava transparecer. Afinal, seu orgulho ainda era a única coisa que lhe sobrara. Mas para sobreviver, ele deveria engoli-lo.
O palácio celestial era lindo ao mesmo tempo que simples. Todo feito de esmeralda sólida, com detalhes em jade e diamante. Completamente decorado com tapeçarias que mostravam a história da cidade, desde seu inicio, como um desígnio de um dragão das estrelas, passando pelos conflitos e gerações de governantes, heróis e campeões, os chamados “Armas Imortais”, detentores do poder do Punho de Ferro.
Ao abrir a porta de madeira maciça, lá estava o salão principal, com mais de vinte metros de comprimento. E em seu final, o trono, onde Yu-ti estava sentado, com sua tradicional túnica e capuz verdes. Ao seu lado direito, Lei Kung em seu traje de combate azul e vermelho, segurando Trovão, sua espada larga, que estava fincada no chão. E ao lado deste, uma pequena figura vestida em uma túnica igualmente verde.
Uma jovem mestiça.
- Aqui está aquele que deseja ver, Celestial.
- Bom trabalho, jovem. Agora, retome seus afazeres.
- Sim, celestial. – e assim o monge se vai, sem antes de encarar Rand, já ajoelhado em frente ao trono. Quando a porta se fecha novamente, todos os olhares se voltam ao Punho de Ferro.
- Yu-Ti, eu...
- Cale-se, Arma Imortal! Ainda não te foste dado o direito de se dirigir a nós. Tens sorte de estar aqui hoje. Tanto tempo investidos em sua formação, forasteiro. Esperanças, sonhos de todos os cidadãos da cidade celestial. Para primeiro nos trair, abandonando seu posto como protetor Maximo deste reino. E segundo, ao voltar a nós, em estado medíocre. Sua presença nesta casa nos causa vergonha neste dia, Rand-Kai.
- Seu chi está em profundo desequilíbrio, aluno. Seu corpo envenenado, sua mente em caos. Toda fibra de seu corpo está em guerra consigo mesmo. – completa Lei Kung – Você nos ofende com tamanha auto-destruição. Ofende a esta casa, ofende os seus ancestrais e ofende a todos aqueles que um dia foram conhecidos como Punho de Ferro. Como explica tudo isso, aluno? Como espera viver entre nós?
- Senhores, eu... Não tenho defesa para tudo isso que relatam – Danny respira e continua – Eu realmente sou culpado por tudo isso. Eu conquistei o poder de Arma Imortal apenas para me vingar daquele que causou a morte de meus pais. Fugi para o mundo externo com este propósito e assim que o conquistei, seus encantos me mantiveram lá. Foi uma vida boa, com amores, triunfos, amizades e desafios, sempre vencidos. Porém, assim como as virtudes, seus vícios me consumiram, as decepções, as derrotas, me levaram a uma vida de pecados. Eu sou culpado, senhores.
- Se tu mesmo te consideras culpado, jovem, o que então faz aqui?
- Já não tenho a onde ir, mestre. Não tenho laços, não tenho família. Estou morto para aquele mundo. Eu desejo renascer em K’un L’un.
Subterrâneos
Sentado, onipotente sobre seu trono de rochas, Serpentor não esconde a satisfação. Tanto que Pythona e Firefly estranham a falta dos reclames por sucessivos fracassos.
- Com a vitória de Psylocke e seu encontro com aquele maldito bruxo, meus planos estão se concretizando.
Pythona e Firefly se aproximam, cabisbaixos.
- Havia o receio de que ela perdesse e minha situação perante o Comando Cobra piorasse. Mas não! Estou cada vez mais perto de dar o bote.
- Ssserpentor. O sssenhor já sssabe onde Psssylocke está?
- Claro. E o que vocês dois estão inertes aí? Reúnam uma tropa... não, um exército e me tragam o que aquela mulher encontrar na... Inglaterra.
- Em duas horas partiremos, sssenhor.
- Duas horas? Em duas horas se vocês não estiverem aqui, entrego-os como traidores para o Comando.
Pythona reverencia Serpentor e sai com Firefly. O tempo é curto.
Fawcett City – Avenida Binder – Hoje:
Billy Batson, a estrela do momento, o novo alvo da paixão de nove entre dez garotas da Escola Municipal de Fawcett City, estacionou seu novo carro em frente a sua casa depois de ter rodado pela cidade e fazer um pouco daquilo que ele chama agora de “diversão” – assustar pedestres ameaçando atropelá-los, derrubar latas de lixo, cruzar sinais vermelhos colocando a vida de inocentes em perigo. Billy lembrava que, até algum tempo atrás, fazia parte do grupo daqueles que criticavam essas atitudes, taxando-as de maldade ou, no mínimo, irresponsabilidade. Agora, que ele estava do outro lado, percebia o quanto sentia inveja dessas pessoas. O quanto queria possuir a liberdade e a falta de preocupação que agora detinha. Ao menos fora aquilo que o garoto deduzira nas poucas palavras que trocara com seus novos amigos, quando não estavam “curtindo” ou “tirando onda” – em suma, aprontando.
Alguns de seus novos melhores amigos estavam ali ao seu lado naquele instante: Thor Odinson, beberrão e sempre disposto a entrar em uma briga; o irmão de criação dele Lothar Kinkaid, o trapaceiro e mentiroso mais conhecido pelo estranho apelido de “Loki” ; Timothy Karnes, que costumava bajular os mais fortes querendo tornar-se um deles, e Magnus “Magnífico” Silvana, o insuportável filho do diretor da escola, que todos ali engoliam para poder ter acesso aos gabaritos das provas.
- Ah, ah, ah, ah!! É isso aí, mano! – Thor bebia mais uma lata de cerveja e ria sem parar – Não consigo tirar a imagem daquela velha da cabeça, correndo com você atrás do rabo dela! Ah, ah, ah, ah!!
- É isso aí, maninho! Eh, eh... Foi da hora! – concordou Loki, enquanto pulava a porta do conversível para sair do carro – Eu disse que seria 10!
- Achei mais manero quando o carro passou na poça d’água e molhou as minas no ponto do ônibus... – Timothy parecia estar falando mais para si mesmo do que para seus amigos – Aquelas putas nunca me deram bola.
- É Billy... – Assim como Loki, “Magnífico” Silvana saltou sobre a porta do carro. Ele limpou as mãos e as mangas da camisa, como se saísse de um local empoeirado – Tá quase tão bom quanto eu quando comecei a guiar meu primeiro carro... Há dois anos atrás. Agora que tô no quinto, já dá pra correr na Indy. Meu pai vai arranjar uma vaga para mim ano que vem.
- Qual é a parada, mano? – disse Thor depois de olhar para Billy e ver que ele não estava achando graça de nada e parecia distante – Tu tava dirigindo o carro. Se divertiu mais que a gente. Devia tá rindo mais que nós tudo junto!
- É... – Billy parecia estar prestando atenção a alguma coisa no céu – Cês... Cês acham que ela se machucou?
- Cumé?
- A velha. Quando ela tropeçou e caiu. Acham que ela se machucou?
- Se quebrou a perna, rebentou varize... Que que tem? Era sua mãe por acaso?
- Não Loki, mas... Podia ser, né?
- Que é isso, Trovão? – disse Loki, enquanto olhava enviesado para Billy – Tô te estranhando. Vai dizer que não achou graça? Se machucou? E daí? Quem mandou aquela velha idiota tá na rua na hora que a gente tava passando?
- É mesmo... – Billy fez um muxoxo e forçou um sorriso – Quem mandou, né?
- Ih, merda... – falou Timothy ao perceber quem se aproximava do outro lado da rua – O alejado do filho da mulher do meu pai tá vindo ali. Vou dar o fora. Espera eu virar a esquina se for fazer alguma brincadeira com ele, se não ele vai chorar com a mãe e mandar meu pai brigar comigo.
- Vai lá, Tim. – “Magnífico” Silvana aproveitou a oportunidade para mexer com Billy – Aí, Trovão. Esse cara não andava contigo antes de você ficar esperto?
Thor e Loki começaram a rir da cara do Billy.
- Eu tinha pena dele, só isso. Deixa eu ir, galera. Tenho que treinar pro jogo do fim de semana.– Disse Billy, que saiu carro e se apressou para entrar em casa, evitando olhar na direção de Freedy, seu melhor amigo nos velhos tempos.
- Aí! – Gritou Thor para Billy antes que ele fechasse a porta de casa – Lembra que vamos encontrar o seu xará hoje a noite no Whizz pra gente zoar junto!
- Ta Legal! – gritou Billy de volta antes de fechar a porta e sair daquela situação constrangedora. Ele deu uma olhada na janela, escondido pela cortina e viu Freddy se afastar cabisbaixo em direção a banca de jornal, onde trabalhava todos os dias à tarde depois da escola.
- Billy! Onde você tava? Se você quer desperdiçar sua vida, tudo bem, mas poupe os amigos de nossos pais de suas irresponsabilidades. Eles não precisam se preocupar com o que você se tornou antes de voltar para casa.
Era Mary, sua irmã, que parecia estar esperando por ele há muito tempo. Como sempre, aliás.
Nos velhos tempos, quando Billy era um zero à esquerda para seus atuais amigos, os dois se davam muito bem. Mary poderia ser uma das garotas mais populares do colégio se quisesse, mas nunca ligou muito para isso. Esnobava os garanhões e metidos que queriam conquistá-la, preferindo ficar na companhia de suas amigas e dos amigos de seu irmão.
Quando Billy mudou da água para o vinho depois que começou a usar o amuleto que seus pais lhe enviaram do Egito, tudo mudou. Ele podia se afastar de seus antigos amigos, que nada tinham com sua nova e ambiciosa realidade de vida de estrela do time de futebol, de centro das atenções, de rei do pedaço. Mas não tinha como deixar de conviver com sua irmã. Ela estava sempre ali, como uma sombra, como sua consciência, como um fantasma do natal passado, lhe lembrando de tudo que ele deixou para trás em troca de sua atual fama e popularidade.
Do que adianta toda essa marra, sem um amigo de verdade por perto? Do que vale essa fama toda se é preciso não ser você mesmo o tempo todo para mantê-la? – Mary não se cansava de provocar Billy com essas frases em seu ouvido sempre que podia. Da forte amizade que sentia por ela, Billy passou a odiá-la. E, para piorar, muitos de seus novos amigos – como Thor – acreditavam que, por pertencer ao grupo, Billy poderia facilitar a aproximação deles com sua irmã. Ele já prometera outras vezes de que Mary iria com ele em um dos agitos que eles sempre armavam e já cansara de dar desculpas por ela furar a esses encontros. Na maior parte das vezes Billy sequer a convidou. Como já aconteceu algumas vezes, ela iria rir, pois sabia muito bom porque estava sendo convidada. Por isso nunca iria com ele, nem mesmo se gostasse daquele tipo de coisa.
- Que foi agora, garota? Do que você está falando?
- Tem um amigo do papai aqui te esperando! Você não sabia?
- Amigo do papai...? Quem?
Antes que Mary respondesse, um homem com cabelos cobertos de gel entrou na sala, com um olhar severo e um estranho sorriso nos lábios.
- Olá Billy. Lembra de mim?. Acabei de chegar da expedição do Egito, onde estão seus pais. Sou eu, Théo Adam.
Tor
Em celta, Portal.
E da passagem da igreja quase em ruínas, Psylocke procura as palavras espalhadas e escondidas nas pedras e limos.
Nos pontos que Gomurr indicou ao fazer uma espécie de mapa em plena mente da mutante, ela encontra as palavras: lámh, lagaí, do, nar e Dia.
E assim ela entra.
Sem perceber que Firefly e dezenas de víboras quase concluíam a escalada do Tor.
No centro da igreja praticamente oca, ela observa a nave na horizontal, diferente das comuns construções católicas.
Do altar só restam as bases maciças, em um canto. Nenhuma imagem, nenhuma escada. Nenhuma entrada. Nada.
Psylocke, de olhos fechados, junta as palmas das mãos. As palavras decifradas do lado de fora bailam em sua mente. Mesmo ela sem saber muito do dialeto celta.
- Nar lagaí Dia do lámh!
Que Deus não enfraqueça a sua mão.
O prédio treme. Algumas aves disparam pelo céu.
Serpentário
A gigantesca instalação se espalhava por uma série de túneis subterrâneos, vários quilômetros abaixo do estado norte-americano de Nevada. Instalações militares, laboratórios secretos, bunkers, todos ligados e vigiados por homens bem treinado e fortemente armados.
Levou anos para ser construída. Projetos do governo, do exército e até mesmo da NASA foram iniciados e abandonados, até que o Cobra resolveu aproveitar todo o complexo. Com seus contatos no governo e no congresso, conseguiu arrendar as terras e fazer com que todos se esquecessem do que havia sido construído lá.
Era um câncer no coração da América.
Um câncer do tipo inteligente.
- Senhora, nossos homens informam que o Codinome: Combatente Americano roubou um pequeno jato no aeroporto internacional de Glasgow. Ele já está a caminho.
A bela mulher não se abalou. Estava esperando por ele. Na verdade, contava com isso.
Durante meses, foi para a cama com John Flagg, fingindo passar informações do Comando Cobra para seu grupo de operações especiais. Era uma pequena força-tarefa, a elite dos marines, dispostos a desmantelar a organização.
Mas foram infectados por ela, como um câncer.
John Flagg se apaixonou. A Baronesa não se importava.
John Flagg lutou até o fim. A Baronesa não tinha misericórdia.
John Flagg morreu como um herói. A Baronesa daria o mesmo destino a seu irmão.
Quando o jato chegou, diversos homens já tinham recebido a ordem de não ficar no caminho do Combatente Americano. Hamman não queria correr o risco de ver seu “espécime” danificado. Sua esperança era de que, ao confrontar a Baronesa, o choque reprimisse suas memórias novamente, o suficiente para que ela o colocasse fora de combate com danos mínimos.
Hamman queria o cérebro de John Flagg, a massa encefálica onde ele “baixara” a mente e a consciência de seu irmão, Nelson.
“Dois pelo preço de um”.
Um tiro ou uma explosão poderiam arruinar tudo.
Pelo menos, isso foi o que ele contou à Baronesa...
O Combatente Americano abriu caminho por dezenas de homens. Atirou, explodiu e espancou quantos lhe fora possível. Era uma máquina de combate, insana, enfurecida. Não ia parar até conseguir sua vingança, ou até estar morto.
A Baronesa não se importava muito com o experimento de Hamman. Ele sempre fora uma piada na organização. O “Vincent Price do Cobra”. Sua obsessão por mortos, zumbis, monstros de frankestein e cadáveres reanimados era, ao mesmo tempo, divertida e perturbadora.
Muitas vezes, ele acertou.
Seus experimentos, contudo, eram instáveis. O próprio Combatente Americano, o protótipo do soldado perfeito, estava fora de controle.
Ele finalmente alcançou a ponte de comando do Serpentário.
Vazia.
- Se acha que fugir de mim vai ser o bastante, Hamman...
- Ele não fugiu, querido. Apenas deixou um presente.
O som daquela voz fez o sangue de Nelson Flagg gelar nas veias. O som daquela voz fez o sangue de John Flagg ferver em seu coração.
- Quanto tempo, não, John?
O chão, na direção de um feixe de luz solar que entra pela janela, recebe um reflexo e se torna cristalino. O acesso para os túneis e câmaras naturais localizadas debaixo do Tor.
Seus olhos estão hipnotizados. Beleza, sensações, tudo misturado. Calmamente a mutante coloca um pé sobre o brilho, e se assusta quando ele perpassa as pedras.
Sem hesitar e com motivação, Psylocke pula para dentro do portal. seu estômago embrulha com a velocidade. Ela está caindo muito rápido.
Por longos minutos.
O tempo que durou para que Firefly e as víboras entrassem no templo a São Miguel.
Firefly ordena que um soldado a siga, e ele tem o corpo desintegrado ao encostar no brilho que emana do solo.
- Só nos resta esperar. Vamos fazer uma emboscada.
O local já estava iluminado. Psylocke não sabe onde andou, por onde passou. Mesmo consciente.
E assim que seus olhos se acostumam com a repentina escuridão, ela vê, no centro do que parece uma caverna, a espada, fincada na parede rochosa.
A curtos passos ela se aproxima do seu objetivo. A Espada do Poder. O que pode ajudar a recuperar tudo o que perdeu nas investidas de Serpentor.
Seus olhos irradiam a luz, da mesma cor da marca que lhe corta o rosto.
Seus braços são estirados. Assim como seus dedos.
- Tá sí hálainn ir.
Uma voz feminina ecoa pelo cômodo.
Por reflexo, um sabre de luz forma-se em seu punho.
- Que?
- Eu só disse que ela é linda. A Espada.
Psylocke, movimentando a cabeça rapidamente em todas as direções, busca a mulher.
Em vão. Ninguém a vista.
- Não tema. Sei que é enviada por Gomurr. Você tem a permissão para usar a Espada do Poder.
O sabre desfaz-se e a mutante segura o utensílio. Sente como é pesada e lustrosa.
- Agora vá! Leve a espada até Chalice Well, a banhe lá para que a força dela se renove, recupere a Aurora Rubra e... Rath Dé ort!
Psylocke sorri ao receber o desejo de benção de deus e caminha para o lado oposto de onde estava erguida a Espada.
Com um clarão que poderia cegar, ela surge saindo do chão, no mesmo local no interior da igreja por onde afundou.
Com a Espada em punho ela se concentra se teletransportar; o que não é realizado com a investida das dezenas de víboras que a atacavam de todas as direções.
Com movimentos rápidos, a Espada do poder era manejada, como se bailasse e cortasse o ar. Em consequência, corpos mutilados e esfarelados.
- Não num local sagrado!
A mutante atrai a legião de oponentes para o lado de fora da igreja e continua com o massacre. Que parecia interminável, afinal, a todo instante novos inimigos chegavam.
Psylocke, para ganhar tempo, arranca um degrau do caminho do labirinto, senta nele e desce colina abaixo. As víboras descem correndo, rolando, e Firefly faz um sinal positivo para outra pessoa que está à espreita.
Ao concluir a aterrissagem, Psylocke corre mas se esbarra no ninja cobra.
- Grato por realizar minha tarefa.
- Ir mbeire um diabhal Leis qui!
A mutante investe contra Firefly, que escalpa do golpe disparando artefatos explosivos!
- Só isso que essa espada faz?
- Quer que mande o “diabo te levar com ele” em que idioma agora?
Novas explosões. Novas investidas de Psylocke, que estranha repentina agilidade de Firefly. Novas víboras se aproximam. A mutante novamente corre, sumindo pelas sobras.
Firefly pega um comunicador, enquanto seus soldados respiram.
- Agora é com você, Pythona. Ela foi para o Poço do Cálice Sagrado!
Fawcett City – Casa da Família Batson – Hoje:
- Desculpe... Tínhamos combinado de nos encontrar hoje?
- Não, não meu rapaz. – Adam se aproximou de segurou Billy pelos ombros, insinuando uma amizade que não existia – Nossa! Como você cresceu desde a última vez que o vi! E não se passou nem um ano. Você andou malhando?
- Ele joga futebol. – disse Mary, com ar de desdém – Billy mudou muito mesmo nos últimos tempos.
- Certo, certo. O “rude e saudável esporte americano”. É o que eu sempre digo... Mary, pode me trazer um copo de água, por favor?
- Claro. – respondeu Mary, saindo em direção a cozinha. Ela havia entendido a indireta. Não sabia por que ele queria ficar sozinho com seu irmão, mas atendeu o pedido e resolveu deixá-los a sós.
- Hã... O que o senhor queria falar comigo, seu Adam?
Adam colocou as mãos para trás e encarou o jovem.
- Eu me mostrei surpreso ao saber de seu recente interesse por futebol, mas na realidade já venho acompanhando seu desenvolvimento como atleta há algum tempo... Inclusive estive presente em seus dois últimos jogos. Sem você, os Relâmpagos de Fawcett não teriam a menor chance contra as Estrelas de Opal e os Morcegos de Gotham.
- Se sabia disso, por que menti então?
- Não queria falar sobre o seu segredo na presença de sua irmã.
- Segredo? Que segredo?
O sorriso sumiu da face de Théo Adam, restando apenas seu olhar severo e penetrante.
- Eu sei qual é a razão de seu sucesso, Billy. É por isso que eu estou aqui.
Billy ficou pálido e engoliu em seco.
- Do... Do que você tá falando?
- Vamos, Billy... Eu sei de tudo. Pode falar a verdade comigo. Duvido que você tenha dividido esse segredo com alguém. Não iria correr o risco de descobrirem que você é uma fraude.
Billy começou a suar.
- Não sei o que você quer dizer. É melhor você ir embora.
- Você começou a fazer sucesso no futebol depois que recebeu um presente enviado por seus pais e começou a usá-lo todo o tempo, certo?
Os olhos de Billy se arregalaram.
- Como... Como você soube do amuleto? Quem te contou?
- Esqueceu que eu estava no Egito com eles? Na realidade fui eu que achei este amuleto. Estou aqui para pegar de volta o que me pertence.
Os músculos de Billy se retesaram. Ninguém iria levar embora seu amuleto da sorte.
- Meus pais deram ele para mim! ELE É MEU!!
- Não, não é. Os seus pais roubaram ele de mim. Eu sou o verdadeiro dono do escaravelho de Khem-Adam.
Billy sabia que era mais forte do que aquele homenzinho magro com cara de fuinha. Por que ainda estava falando com ele?
- SAIA DA MINHA CASA!!
- Sei que você e forte, Billy. E pode me botar porta afora com seus chutes. Mas se sair daqui sem meu amuleto, irei direto aos jornais ou a rádio da cidade colocar a boca no trombone. Aliás, você trabalhava lá, não?
Nos tempos em que andava com os nerds e os outros enjeitados do colégio, Billy ganhou a vaga de locutor mirim na rádio da cidade. Fora o prêmio que vencera no tradicional concurso de dicção e oralidade que era disputado anualmente em Fawcett City. Ele costumava dizer que a hora que falava na rádio era o único momento da semana em que se sentia notado fora do seu círculo de amizades. Mas, desde que se tornara a mais nova sensação dos Relâmpagos de Fawcett, Billy deixara sua participação semanal na rádio de lado. Afinal, agora ele era mais notado do que nunca. Não precisava mais daquelas migalhas de sucesso.
- Você não vai fazer isso! NÃO VOU PERDER TUDO O QUE GANHEI!!
- Perder o quê? Você não tem nada, Billy. Não passa de uma fraude!
Aquela foi a gota d’água. Tudo que ele vinha represando nos últimos tempos, procurando esconder de si mesmo, repentinamente fora jogado na sua cara por aquele cara com cara de fuinha e gel nos cabelos.
Perdendo as estribeiras, Billy trincou os dentes e avançou em Théo Adam, jogando-o no chão e apertando o pescoço dele com ambas as mãos.
- Cale a boca! CALE ESSA MALDITA BOCA!!!
- Billy!! O que está fazendo?!?! SOLTE ELE!!
Ao ouvir a voz de sua irmã, Billy largou o pescoço de Théo Adam e olhou para Mary, que largara o copo que trazia nas mãos. O copo espatifara-se no chão, causando uma grande poça no carpete da sala. O barulho e o olhar assustado de Mary trouxeram-no de volta a realidade. Billy olhou para suas mãos e para Adam que respirava fundo, ansiando pelo ar que lhe havia sido roubado segundos antes.
Meu Deus!! O que estou fazendo?? O que está acontecendo comigo?? – Billy estava assustado e queria estar em qualquer lugar, menos ali.
- Imagine... o que seus pais... Cof! Cof! Imagine o que seus pais achariam de você... agora...? – Adam estava pálido e com dificuldades de respirar, mas continuava sendo a mesma velha raposa.
Sem ter como explicar, sem saber o que dizer, Billy fez a única coisa que lhe passou pela cabeça. Saiu correndo pela porta da frente.
Ele correu dois quarteirões antes de se questionar para onde estava indo. Poderia ter pego seu carro, que comprara com o prêmio que recebera do colégio por ter sido o artilheiro na vitória dos Relâmpagos contra o líder do campeonato, os Arqueiros de Star City. Mas queria tanto ir para o mais longe possível, que não pensara nessa possibilidade. Agora não iria voltar lá e correr o risco de dar de cara com sua irmã ou com o maldito Théo Adam.
Será que Adam iria chamar a polícia? Onde iria agora? O que iria fazer?
Em uma coisa Billy admitia que Théo Adam tinha razão: sempre tivera medo de falar com alguém sobre o amuleto. Achava que não podia confiar em nenhum de seus novos amigos. E agora, que precisava de alguém, não sabia a quem poderia recorrer.
Então ele se lembrou com quem sempre dividira seus anseios e segredos nos velhos tempos.
Freedy Freeman.
Estavam afastados agora, mas foram amigos a maior parte de suas vidas. Ele iria ouvi-lo, claro!
A banca onde ele trabalhava ficava ali perto. Começou a se dirigir para lá o mais rápido que pode.
Algum Lugar:
- Minha criação, a hora chegou.
A forma sombria segura o globo escarlate, observando a dança das sombras em seu interior. Era como se dois líquidos, um de vermelho sangue e outro negro como nanquim se degladiassem, nunca se misturando, em eterna dança. Algumas vezes, a combinação dessa dança formava imagens. Propositais ou apenas imaginação do observador, ninguém realmente poderia saber.
Darth Ophion esperava calmamente sua discípula entrar na sala escura. Ele estava em meio a um circulo de velas apagadas. Sua figura não era visível para ninguém, pois usava um pesado manto. Imagina-se que seja magro, mas quem realmente sabe? O capuz e a mascara cobriam o rosto, deixando apenas os olhos brilhantes em destaque. O olhar emanava crueldade e maldade e a voz rouca era arrepiante.
Darth Naga, por outro lado, era esquia e sua armadura era justa, revelando suas formas femininas atraentes. O corpo coberto da cabeça aos pés, não deixando nenhum pedaço de sua pele de fora, nem seus cabelos. Ela carregava consigo apenas suas armas presas em coldres em suas duas pernas. Chegando a frente daquele a quem chama de mestre, ela simplesmente ajoelha e abaixa a cabeça, em sinal de completa servidão.
Esse é o caminho dos Sith. Um mestre e um aprendiz. Um mestre e um escravo. Nem mais, nem menos.
Com um brilho no olhar radiante de Ophion, as velas se acendem. Chamas azuis, sobrenaturais.
- Você vai liderar as Sombras Escarlates contra o Escolhido, minha aprendiz. Ele não deve ascender a seu real status, nem sua cidade deve permanecer viva. O momento de saciar o Jarro de Almas chegou.
- Sim, mestre. Estou pronta.
- Não, não está.
- Não? Mas o que falta, mestre?
- Você matou homens e eu criei as sombras vivas que irão nos servir. Porém, você mesma ainda não comungou com o Lado Negro. Chegou seu momento, escrava. De dar sua alma para as trevas libertadoras.
- Sim, mestre.
Súbitamente, olhos começam a se abrir na escuridão. São Sombras Escarlates, antes homens, membros do clã ninja Arashikage, agora demônios das trevas.
Eles veem testemunhar o nascimento de sua líder.
Ela se levanta, e Darth Ophion começa a lentamente acariciar seu tórax com a ponta dos dedos, de maneira quase terna, ainda que maligna. Porém, subitamente, deus dedos recuam e mergulhando dentro do plexo solar da jovem. A mascara negra que lembra um crânio com traços alienígenas, não deixa nenhuma emoção transparecer, mas o tranco de sua cabeça, mostra a força do golpe. E rápido como começa, a mão afiada se afasta, puxando um pedaço de carne, provavelmente do coração de Naga.
Além do sangue que voa, manchando o chão e o manto de Ophion.
O corpo simplesmente desmonta, em frente ao lorde negro, e cai ao chão, como se nunca tivesse vida. O senhor das trevas observa o que puxou do corpo da mulher e vê a carne e sangue se transformando em uma réplica cristalina da própria Naga, em sua verdadeira forma. Esse pedaço dela, sua alma talvez, é mergulhado no globo em sua outra mão, a Aurora Rubra.
A partir desse momento, tentáculos saem com globo, e envolvem o corpo no chão.
- Se antes era mortal, agora pertences ao todo. Tu que era sangue, agora é trevas. Que as sombras sejam tuas amantes, teu alimento e tuas vestes. Tuas mestras e tuas armas. Tua alma e tua vida, pois agora sois uma. Darth Naga, LEVANTE-SE!
E ela assim obedece agora com olhos igualmente sinistros a de seu mestre.
E as sombras têm mais uma razão para serem negras.
- K’un L’un e seu Escolhido devem morrer.
- Você matou meu irmão!
Você me matou, gritou uma voz dentro de sua cabeça.
- Quantas memórias de repente, não? Com quem estou falando? – perguntou a Baronesa, enquanto descia lentamente um lance de escadas, de maneira insinuante.
- Meu nome é Nelson é John Flagg! Você sabe disso muito bem! Você matou meu irmão me matou, e agora eu vou matar você eu amei você!
Ela não dava a mínima para o discurso. Não ia perder tempo conversando. Precisava acabar com ele e, se o “brilhante” plano de Hamman para preservar o cérebro desse errado, era problema dele.
Se necessário, estava disposta a explodir os miolos do Combatente Americano.
A luta foi brutal. Primitiva. Abriram mão de armas de fogo para usar pés e punhos. Os corpos se tocavam, o suor, e as voz na cabeça de Nelson gritava: não a machuque! Por favor, não a machuque!
Numa luta, perder a concentração é um erro fatal. A Baronesa teve tempo para se recuperar dos poderosos punhos do Combatente, atingindo pontos vitais do seu corpo. Quando estava prestes a nocauteá-lo, um alerta começou a soar pelo Serpentário:
ATENÇÃO! ATENÇÃO! AUTO-DESTRUIÇÃO IMINENTE! EVACUEM A BASE! EVACUEM A BASE! AUTO-DESTRUIÇÃO COMEÇA EM 60 SEGUNDOS...
Hamman, seu filho da puta!
Daniel Rand fora deixado no salão imperial, meditando, por mais de duas horas. Tanto Lei Kung, quanto Yu-Ti o deixaram, para discutir o que fazer com o filho pródigo da cidade celestial. Ele estava confuso, ainda se repreendendo pelo o que fizera, pela humilhação auto-imposta. Ainda havia um lado seu que dizia que era um erro estar ali. Mas enfim, depois de tudo, estar ali ou em qualquer outro lugar, daria no mesmo.
Ao menos, tinha comida e abrigo e oportunidade de treinar sem ser oportuna.
Súbito, os dois líderes de K’un L’un retornam de seu isolamento e se Yu-Ti, a Personalidade Celestial de Jade se senta em seu trono. Porém, é o Trovejante que fala.
- Rand-kai, decidimos seu destino... E sua penitência.
- Penitência?
- Você deixou K’un L’un em prol do mundo externo em um momento de grande necessidade nossa. E agora, corrompido, você retorna. Nós o aceitamos, por um preço.
- O que devo fazer?
- Seu chi se desalinhou, Rand-kai. Você deve se harmonizar novamente – diz Lei Kung
– E só a um método de fazer isso.
- O Caminho do Dragão e da Fênix.
- Como? O que é isso?
- O Caminho não é utilizado a incontáveis gerações. Nenhum guerreiro chegou a esse nível de deploração desde tempos imemoriais. Você deve retornar a caverna de Shou-Lao e adentrar as catacumbas após a câmara de combate. Lá, você encontrará o Caminho. Trilhe-o e quando o momento chegar, retorne a nós, renascido.
- Só isso?
- Sim, Rand-kai. Seja o primeiro a retornar do Caminho e seu débito está pago.
- Como?
- Ninguém jamais retornou. E agora, é a sua vez de tentar.
Continua...
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Posted on Sunday, September 06 @ 21:43:19 BRT by Andre_Faccas |
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